
A casa fica quieta e você pega o celular antes mesmo de sentar. Em alguns dias, a companhia da própria cabeça parece boa. Em outros, o silêncio aperta. Não existe um jeito certo de viver esse momento.
Tem gente que chama qualquer tempo sozinho de solitude, como se bastasse trocar a palavra para ficar leve. Eu prefiro não fazer isso. Sentir falta de alguém é real. Precisar de vínculo não é falha de amor-próprio.
Estar consigo, pra mim, tem menos a ver com gostar de ficar isolado e mais com poder reparar em como você está sem encenar disposição o tempo todo. Talvez seja tomar um café sem correr para preencher cada segundo. Talvez seja perceber que hoje o que você precisa é ligar para alguém. Uma coisa não desmente a outra.
Pergunte, se fizer sentido: “Eu escolhi este tempo sozinho ou fui ficando sem espaço para pedir companhia?” A resposta pode mudar o próximo gesto. E, se a solidão estiver virando sofrimento persistente, vale procurar pessoas de confiança e apoio profissional. Uma conversa casual não substitui esses vínculos ou esse cuidado.
Não é preciso aprender a gostar de todo silêncio. Às vezes, estar consigo também é reconhecer que se quer estar com alguém.
Se quiser continuar essa conversa, escolha o espaço que fizer sentido. Nenhum deles substitui apoio profissional quando necessário.
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