
Na reunião, você é quem resolve. Em casa, quem não dá trabalho. Com os amigos, quem anima todo mundo. Nenhum desses papéis é mentira, necessariamente. Mas o que acontece quando a pessoa que anima também fica triste, ou quando quem resolve não sabe a resposta?
A pergunta não é como dizer “não” mais vezes, nem onde marcar uma linha de horário. É que, depois de tanto representar um papel útil, pode ficar difícil reconhecer desejos que não têm função para ninguém. Talvez você sinta vontade de aprender algo que não vai virar trabalho. Talvez queira passar uma tarde sem ser o organizador de nada.
Eu não acho que haja uma versão “verdadeira” e imóvel escondida atrás de todos esses papéis. A gente muda com as relações. Ainda assim, merece ter curiosidade pelo que aparece quando não está tentando ser exatamente o que esperam.
Nem sempre há liberdade para mudar a rotina de uma vez. Há contas, cuidados e vínculos importantes. Mas dá para reparar na diferença entre escolher um papel por um momento e acreditar que não existe lugar para você fora dele.
Se ninguém precisasse que você resolvesse nada hoje, o que despertaria sua curiosidade? Não precisa sair uma resposta bonita. Pode começar só por deixar a pergunta existir.
Se quiser continuar essa conversa, escolha o espaço que fizer sentido. Nenhum deles substitui apoio profissional quando necessário.
Conversar no WhatsApp individual ↗